Os Cães Podem Comer Figos? Risco de Irritação por Ficina
Pontos-Chave
- Os figos frescos contêm ficina, uma enzima proteolítica que funciona como um irritante para a boca, pele e trato gastrointestinal do cão.
- As folhas de figo são tóxicas para cães — contêm concentrações mais elevadas de ficina e psoraleno, um composto fototóxico.
- Os figos secos têm açúcar concentrado e devem ser evitados pelas mesmas razões que as tâmaras.
- Se oferecidos, apenas pequenos pedaços de polpa de figo fresco maduro — e monitorize atentamente qualquer reação.
- Muitos cães reagirão mesmo a pequenas quantidades; a sensibilidade individual varia consideravelmente.
Os Figos São Seguros para Cães?
Os figos situam-se firmemente no extremo "proceda com cautela significativa" do espectro de frutas para cães. Ao contrário de alimentos claramente tóxicos (uvas, passas, cebola), os figos não são categorizados como acutamente venenosos pela maioria das autoridades de toxicologia veterinária. A ASPCA assinala plantas de figo — particularmente as folhas — como tóxicas para cães, gatos e cavalos. A polpa do fruto maduro existe numa zona mais ambígua: não é agressivamente tóxica em quantidades muito pequenas para muitos cães, mas é irritante o suficiente para muitos outros que é difícil recomendar como um tratamento rotineiro.
O culpado é a ficina — uma enzima proteolítica encontrada em toda a planta de figo, com concentrações mais elevadas na seiva de látex leitosa, nas folhas e no fruto imaturo. A polpa de figo maduro contém concentrações mais baixas, mas mesmo estas podem provocar reações em indivíduos sensíveis.
O Que é Ficina e Por Que é Problemática?
A ficina é uma protease de cisteína — uma enzima que decompõe as proteínas. Na planta, serve como mecanismo de defesa contra insetos e herbívoros. Quando os cães entram em contacto ou consomem ficina, a enzima pode começar a digerir as proteínas da mucosa na boca, trato gastrointestinal e pele, causando irritação localizada que varia de ligeira a bastante incómoda.
Os sinais clínicos de irritação por ficina em cães incluem:
- Salivação excessiva (hipersalivação) pouco tempo após o contacto ou ingestão
- Lamber ou coçar a boca ou rosto
- Vermelhidão e inchaço das gengivas, lábios ou língua
- Vómitos, por vezes poucos minutos após a ingestão
- Diarreia ou fezes soltas
- Erupção cutânea ou vermelhidão se a seiva da planta entrar em contacto com a pele
Estes sintomas são semelhantes aos causados por outras plantas com látex e geralmente resolvem-se no prazo de algumas horas se a exposição for mínima. No entanto, em cães que consomem quantidades maiores — ou em cães com sensibilidade gastrointestinal pré-existente — os sintomas podem ser mais graves e prolongados.
Folhas de Figo: Genuinamente Tóxicas

Se o próprio fruto fresco é questionável, as folhas da planta de figo estão numa categoria completamente diferente. As folhas de figo contêm concentrações significativamente mais elevadas de ficina juntamente com psoraleno, um composto furocumarina com propriedades fototóxicas. A exposição ao psoraleno — através do contacto com a pele ou ingestão — pode causar:
- Fotossensibilidade e queimaduras graves da pele quando expostas à luz ultravioleta
- Ulceração gastrointestinal se ingerida em quantidades significativas
- Efeitos hepatotóxicos em doses elevadas
Os cães que têm acesso a uma figueira no jardim devem ser monitorizados cuidadosamente. Certifique-se de que não conseguem mastigar folhas, ramos ou hastes que exudam seiva. Se o seu cão mastigar folhas de figo e desenvolver algum dos sintomas acima, contacte o seu veterinário imediatamente.
E Quanto aos Figos Secos?
Os figos secos são essencialmente figos frescos concentrados — o que significa que são concentrados em tudo, incluindo açúcar e ficina. Um único figo seco pode conter 5–8 g de açúcar numa pequena embalagem gomosa que é fácil de um cão comer rapidamente antes de notar. O processo de desidratação não neutraliza a ficina. Os figos secos devem ser mantidos completamente longe dos cães.
Além disso, os figos secos comerciais podem conter açúcares adicionados, sulfitos (utilizados como conservantes) ou ser embalados com outras frutas secas (como passas) que são acutamente tóxicas para cães. O perfil de risco é simplesmente demasiado elevado para o benefício nutricional mínimo.
Se Optar por Oferecer Figo Fresco
Se está determinado a deixar o seu cão provar figo fresco, siga precauções rigorosas:
- Use apenas polpa de figo fresco completamente maduro — evite qualquer seiva leitosa ou partes esverdeadas.
- Ofereça um pedaço não maior do que a unha do polegar — literalmente um pequeno gosto.
- Remova toda a casca, que tem concentração de ficina mais elevada do que a polpa interior.
- Observe o seu cão atentamente durante 30–60 minutos para qualquer sinal de salivação, vómitos ou incómodo.
- Não ofereça figos novamente se ocorrer qualquer reação, por mais ligeira que seja.
- Nunca ofereça figos mais de uma ou duas vezes por mês mesmo que bem tolerados.
Muitos profissionais de nutrição canina — eu incluído — simplesmente aconselham saltar os figos completamente e escolher uma fruta mais segura. As mirtilos são uma opção nutritiva e segura.
