Doença Cardíaca em Cavalier King Charles Spaniels
A doença valvular mitral mixomatosa, conhecida como MMVD, é tão prevalente em Cavalier King Charles Spaniels que a raça se tornou central na pesquisa de cardiologia veterinária em todo o mundo. Estudos sugerem que praticamente todos os Cavaliers desenvolverão algum grau de doença valvular mitral se viverem tempo suficiente, com muitos apresentando mudanças iniciais quando chegam à meia-idade. Para os proprietários desta raça amada, entender como a condição progride, reconhecer os sinais iniciais e saber quando procurar um veterinário são essenciais para dar ao Cavalier a melhor qualidade de vida possível.
Como a Doença Valvular Mitral se Desenvolve

A válvula mitral fica entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo do coração. Sua função é garantir que o sangue flua em uma única direção — do átrio para o ventrículo durante o preenchimento, e não retorne quando o ventrículo se contrai. Na MMVD, os folhetos da válvula gradualmente espessam e se deformam devido ao acúmulo de tecido anormal. Com o tempo, a válvula falha em fechar adequadamente, permitindo que o sangue vaze para trás — uma condição conhecida como regurgitação mitral.
Esta regurgitação força o coração a trabalhar mais para manter uma circulação adequada. Inicialmente, o coração compensa através do alargamento, particularmente do átrio esquerdo e do ventrículo esquerdo. Conforme a doença progride, estes mecanismos compensatórios eventualmente falham, o fluido se acumula nos pulmões, e o cão desenvolve insuficiência cardíaca congestiva.
O Sistema de Estadiamento
O American College of Veterinary Internal Medicine (ACVIM) publicou diretrizes de consenso para o estadiamento da MMVD que são amplamente utilizadas na prática veterinária:
- Estágio A — raças de alto risco mas sem sopro detectável
- Estágio B1 — um sopro está presente mas o coração ainda não está alargado
- Estágio B2 — um sopro está presente e o alargamento cardíaco é confirmado em imagens
- Estágio C — insuficiência cardíaca congestiva, atualmente ou previamente controlada
- Estágio D — insuficiência cardíaca congestiva refratária ao tratamento padrão
Este sistema de estadiamento não é meramente académico — orienta diretamente as decisões de tratamento. Cães no Estágio B2, por exemplo, agora se sabe que se beneficiam de medicação específica que atrasa a progressão para insuficiência cardíaca, com base em dados de ensaios clínicos marco.
Sinais de Alerta Iniciais para Observar

Uma das coisas mais importantes a compreender sobre MMVD é que os cães podem estar no Estágio B1 ou até B2 sem sintomas óbvios em casa. O coração está compensando, e o cão pode parecer totalmente normal. É por isso que a ausculta veterinária regular é tão importante — um sopro pode ser detectado por um estetoscópio muito antes do cão mostrar sinais clínicos.
Conforme a doença progride para o Estágio C, os sinais tipicamente começam a emergir. Estes incluem:
- Uma tosse nova ou piorante, particularmente à noite ou após deitar-se — isto ocorre porque o fluido se acumula nos pulmões e é exacerbado quando o cão está na posição horizontal
- Frequência respiratória aumentada em repouso — contar respirações por minuto enquanto o cão está a dormir é um dos indicadores mais sensíveis de acúmulo de fluido
- Intolerância ao exercício ou cansaço mais rápido do que o usual durante passeios
- Apetite reduzido ou perda de peso inexplicável
- Distensão abdominal em alguns casos, devido ao acúmulo de fluido no abdómen
- Desmaios ou colapso, que podem ocorrer devido ao débito cardíaco reduzido
A Frequência Respiratória em Repouso
Monitorizar a frequência respiratória em repouso em casa tornou-se uma pedra angular da monitorização liderada pelo proprietário para cães com MMVD conhecida. Um cão saudável em repouso tipicamente respira entre 15 e 30 vezes por minuto. Uma taxa consistente acima de 30 respirações por minuto, ou um aumento notável em relação à linha de base pessoal do cão, justifica contacto veterinário imediato, pois pode indicar o desenvolvimento inicial de edema pulmonar.
Várias aplicações de smartphones foram desenvolvidas para ajudar os proprietários a contar e acompanhar a frequência respiratória em repouso do seu cão ao longo do tempo. Esta ferramenta de monitorização simples e gratuita pode genuinamente salvar vidas ao promover uma intervenção mais precoce.
Diagnóstico e Monitorização
Uma vez detectado um sopro, o seu veterinário tipicamente recomendará investigação adicional. Radiografias do tórax permitem avaliação do tamanho do coração e podem detectar fluido nos pulmões. Ecocardiografia — um ultrassom do coração — fornece informações detalhadas sobre a função valvular, o grau de regurgitação e as dimensões das câmaras cardíacas. Estas medições são utilizadas para estadiar a doença com precisão e informar as decisões de tratamento.
Cavaliers com MMVD requerem monitorização regular, tipicamente a cada seis a doze meses, dependendo do seu estágio. Mudanças na intensidade do sopro ou novos sinais clínicos devem levar a uma consulta fora dos compromissos agendados.
Tratamento e Medicação
O ensaio EPIC, publicado em 2016, forneceu evidência forte de que o tratamento com pimobendan no Estágio B2 atrasou significativamente o início da insuficiência cardíaca congestiva. Esta foi uma descoberta marco para os proprietários de Cavaliers e mudou o padrão de cuidados em toda a profissão veterinária. Cães no Estágio B2 — confirmados por ecocardiografia — agora são rotineiramente iniciados em pimobendan mesmo na ausência de sintomas.
Uma vez que um cão atinge o Estágio C, o tratamento tipicamente envolve uma combinação de pimobendan, diuréticos como furosemida para reduzir o acúmulo de fluido, e inibidores da ECA. Alguns cães requerem medicações adicionais dependendo da sua resposta. Com tratamento apropriado, muitos cães com doença Estágio C podem ser estabilizados e mantidos com boa qualidade de vida por meses a anos.
O Protocolo de Criação para Saúde Cavalier
A organização Cavalier Health desenvolveu um protocolo de criação cardíaca visando reduzir a prevalência de MMVD de início precoce na raça. O protocolo recomenda que os cães reprodutores devem ter pelo menos 2,5 anos de idade e estar livres de sopro no momento do acasalamento, e que ambos os pais devam ter
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